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WebRádio Cultura Viva

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O QUE FIZERAM COM O POLO AFRO NO CARNAVAL DO RECIFE?

video
No Carnaval 2016, o Polo Afro no Recife foi, de vez, esquecido e depredado. Isso vinha acontecendo aos poucos e em 2016, chegou ao ponto de total abandono. No caminho, como mostramos no vídeo acima, aspecto de total desolação. Não havia uma sinalização sequer que nos levasse ao polo do Pátio do Terço. E assim como o vídeo, essas fotos abaixo foram tiradas no domingo de carnaval. No momento do desfile dos blocos afro. Logo em seguida foi o encontro dos Afoxés. Sem nenhuma condição ou respeito às instituições culturais de Pernambuco.

A impressão que fica é que não é por acaso. Não é esquecimento pelo esquecimento simplesmente. É deteriorar para esvaziar. 

Como sempre aconteceu e acontece. O sistema nos jogando no canto da parede para em seguida, encerrar o que vinha sendo construido com seriedade. O medo é que no meio do sistema sempre há capitães do mato. Não sei se nesse caso, eles existem. 
















domingo, 20 de dezembro de 2015

SOBRE FABÍOLA, SOCIEDADE E HIPOCRISIA




















Vamos lá. Minha vez de falar de Fabíola.

Em meio ao bombardeio do episódio que todas as pessoas já conhecem li uma frase de um internauta que dizia: “Deus perdoa. A internet não”.

Pois é! Começo meu texto com traços religiosos. Atirem as pedras! Digam que isso não é de Deus e que Jesus condena o adultério. Sigam os passos de Jesus.

Só que não...

Se estivéssemos no tempo do apedrejamento em Maria Madalena, eu sei de que lado eu estaria. E sei também de que lado estaria tantos e tantas que vivem gritando “amém” e “aleluia”. Aqueles e aquelas que dizem seguir os ensinamentos cristãos... Que acham linda a passagem bíblica em que Jesus desencoraja pessoas com uma única frase: “Atirem a primeira pedra...”

É muito hipocrisia.

Fico imaginando quantas pessoas eu conheço que tem ou teve um relacionamento com uma pessoa casada, ou que seja casada e tenha “alguém por fora”, e esteja com pedras na mão, atirando sem escrúpulos ou culpa.


Então é bom alertarmos aos paladinos da santidade e às imaculadas do Senhor: Pisem em ovos. Qualquer um, ou QUALQUER UMA principalmente, tendo em vista a imposição patriarcal da sociedade (pra não dizer machista) pode ser a próxima vítima da fila.

Gritar aleluia, dizer que segue os passos de Jesus e não aprender nada do que Ele falou, é uma hipocrisia cristã.

E a hipocrisia serve também para as pessoas que seguem outras doutrinas ou que sequer acreditam em passos religiosos, mas também se colocaram como ofendidas com a situação.

Perdoem-me a expressão. Mas a sociedade continua mergulhada numa escrotidão sem tamanho.

Os erros do episódio foram todos expostos pelos quatro cantos da rede. Do adultério às agressões... Uma exposição desnecessária. Até porque sabemos quantas pessoas se julgam puritanas nesse belo mundo de mentirinha. São exatamente essas pessoas que se acham no direito de julgar a vida alheia.

Meu único desejo é que tudo acabe bem para os envolvidos. Mas que isso seja decidido por eles. Porque eles é que são os verdadeiros interessados na história. E são eles que continuarão pagando suas contas no fim do mês, com seu trabalho, pois, ao que consta, são profissionais competentes.

A sociedade pouco mirou no amante, que já está curtindo o perdão da esposa. Mas mirou em cheio na mulher. E vai continuar mirando mesmo se ela receber o perdão do seu marido. Sabem por que né?! Nem preciso desenhar.

Talvez nenhuma pessoa ligada aos envolvidos leia esse posicionamento, mas fica aqui meu desejo (SINCERO) de que eles possam resolver tudo da melhor forma para todo mundo a quem REALMENTE interessa.

Boa vida. E boa sorte.



(André Agostinho – Coordenador do Blog DIRETOdosMANGUEZAIS e Rádio Cultura Viva.)
http://diretodosmanguezais.blogspot.com.br/2015/12/sobre-fabiola-sociedade-e-hipocrisia.html



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

WEBRÁDIO CULTURA VIVA




















A partir deste sábado, 5 de dezembro, a WebRádio Cultura Viva estará no ar. É a continuidade do trabalho que começou em 2002, com um programa de rádio e abriu um leque gigante para outros projetos importantes, como o perfil Cultura Viva Pernambuco, que durante muito tempo prestou belo serviço na rede social Facebook, e as atividades do projeto DIRETOdosMANGUEZAIS, fragmento que segue dando certo, com este blog e com o canal no Youtube.

O endereço da nossa nova labuta é http://www.radioculturaviva.com

Também estaremos transmitindo pelos aplicativos tunein, rádiosnet e irádios.

Salve nos seus favoritos. Coloque como página inicial do seu navagador. E se possível, propague essa história. Desde já agradecemos e firmamos o compromisso de manter nossa linha de fomentação. A fase experimental da Webrádio Cultura Viva começa nessa sexta, 4 de dezembro. 



André Agostinho - Coordenador do Cultura Viva e do DIRETOdosMANGUEZAIS.










domingo, 8 de novembro de 2015

FATO...


Deixa que Beltrano diga que o importante é a consciência humana... Beltrano fica calado o ano todo. Só resolve questionar em novembro. A gente sabe porque.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

MARCHA DO EMPODERAMENTO NEGRO



















Acompanhei a MARCHA DO EMPODERAMENTO NEGRO por dois motivos: O primeiro, pela minha posição quanto ao tema de apropriação, seja no sentido material ou de autoafirmação. Isso reflete na valorização de um povo que ao longo de muitos anos vem sendo oprimido de todas as formas pelo sistema. Em segundo lugar, eu estava curioso para observar o entorno. O que acham as pessoas sobre isso. Muitas delas, inclusive, sendo representadas pela Marcha.



















Pois bem... Ouvi muitos comentários. E evitei dialogar com as pessoas que externavam sua opinião (muitas vezes discretamente), exatamente para que eu pudesse analisar cada teor das diversas frases. 

Percebi gestos de apoio. Carros buzinando em favor, punhos em riste e alguns sorrisos de motoristas que queriam demonstrar empatia com o movimento. 

Alguns apartamentos no centro do Recife com pessoas demonstrando estarem favoráveis à marcha, com bandeiras sociais de lutas históricas e/ou recentes colocadas nas varandas. Sinais positivos. Aplaudindo a movimentação. Até instrumento foi notado na mão da moradora de um dos apartamentos, completando o cenário de apoio. 

Nas ruas, ouvi uns comentários não muito agradáveis de ouvir. Mas eu estava ali preparado para perceber as posições contrárias. 

Em um dos trechos da Avenida Conde da Boa Vista onde a marcha parou, cheguei num fiteiro, fui comprar uma garrafinha d’água e uma senhora me atendeu. Enquanto me atendia, observava tudo. E quando me deu o troco, comentou: 

“O pessoal quer protestar por tudo agora.” 

Agradeci, dei uns passos à frente e segui olhando o movimento e ouvindo os comentários. Ali perto, uma moça comentava pelo celular: 

“Acho que vou me atrasar porque o trânsito tá parado aqui na Conde da Boa Vista. Tem protesto.” 

A pessoa com quem ela conversava deve ter perguntado o motivo do protesto, porque ela, discretamente, respondeu:

“Sei lá. Tem um monte de neguinho aqui.” 


















Após o comentário e uma risada discreta, ela olhou em volta para ter certeza de que ninguém tinha ouvido e deve ter percebido que eu poderia ter escutado o comentário, porque logo em seguida atravessou a rua e sumiu. Ainda naquele mesmo lugar, um senhor que aguardava um ônibus, se aproximou e, ao ler os cartazes e a faixa, comentou: 

“O povo faz protesto por qualquer merda agora.”

Caminhei um pouco mais pro meio da avenida e percebi que dentro de um dos ônibus parados, algumas pessoas batiam nas laterais, acompanhando os gritos de ordem contra o racismo. Pessoas que repetiam os cânticos de enfrentamento. Outras, no entanto, estavam visivelmente insatisfeitas. Na rua tinha um senhor numa bicicleta, que observava curioso o pessoal, exatamente na hora em que estavam sambando coco. Ele me viu, chegou perto e perguntou: 

“Isso é o que?”

Eu respondi de forma simples: 

“é um protesto contra o racismo.”

Ele olhou pra mim e respondeu na mesma simplicidade:

“Aí tá certo. Esse protesto eu apoio.”

Esse senhor acompanhou todo o momento enquanto a marcha estava parada. Quando o pessoal deu prosseguimento à caminhada, ele tomou seu rumo, mas com admiração nos olhos. Ao chegar ao cruzamento da rua da aurora, prestes a atravessar a ponte Duarte Coelho, nova parada. Esse foi o momento mais desafiador. Ali eu sabia que os comentários seriam mais intensos. O engarrafamento aumentou. Alguns ônibus, carros e motos voltavam para tentar algum atalho numa rua paralela. Pessoas foram descendo do ônibus para atravessar a ponte. Um grupo de jovens roqueiros (pelo menos estavam vestidos assim) de, no máximo, 17 anos, passava pelo local e um deles comentou com os amigos: 

“Isso era bom o batalhão de choque pra dar pancada em todo mundo.” 

Uma moça passou com uma amiga e, ao ler a faixa e o motivo da marcha, comentou:

“Eu tava reclamando, mas isso aí é pra me defender também.”

Um casal homossexual passou e um deles, visivelmente chateado disse: 

“Quando vê isso, ninguém aí nem sabe quem foi Mandela.”

O curioso é que entre os gritos da Marcha, estava também a luta contra a homofobia. 

Atravessando a ponte Duarte Coelho, a marcha seguiu seu rumo, atravessando também a ponte Maurício de Nassau, fazendo a culminância na Praça do Marco Zero. 

A Marcha aconteceu, os comentários (favoráveis e contrários) também aconteceram e a vida segue. Sem baixar a guarda. Porque nem no período da escravidão “legalizada”, as pessoas desistiram de lutar. Agora não seria diferente. 

Autoafirmação sempre! 

André Agostinho / diretodosmanguezais.com






quarta-feira, 9 de setembro de 2015

PANELAS SELETIVAS
















Em tempos de ódio, as panelas não serão minha arma. Porque, quando as pessoas protestam contra a reintegração de posse e os donos do poder jogam a polícia em cima dos manifestantes, agindo como segurança particular do grande empresário que não cuidou do seu patrimônio, NINGUÉM bate panela nas sacadas.

Quando as pessoas não são ouvidas pelo poder público, ao solicitarem a instalação de um semáforo naquele trecho da estrada onde todos os dias alguém da comunidade é atropelado, e para terem atenção, precisam queimar pneus no meio da pista, NINGUÉM bate panela nas coberturas.

Quando moradores de rua são mortos numa visível “limpeza social”, e a notícia é abafada e some num passe de mágica, NINGUÉM bate panela nos apartamentos.

Quando a mulher sofre com o número cada vez mais assustador de agressões e assassinatos e com a forte exclusão por preconceito, NINGUÉM bate panela nas janelas.

Quando o poder público, em parceria com empreiteiras, invade, destrói e desapropria lugares onde estavam pessoas esquecidas por ele próprio, NINGUÉM bate panela do conforto do seu lar em algum bairro rico.

Quando o negro sofre racismo, desde olhares e baculejos à agressões e imposições de seu lugar na sociedade, NINGUÉM (Lógico) bate panela nos condomínios de rico.

Quando a polícia e a imprensa tratam suspeitos de acordo com sua conta bancária, NINGUÉM bate panela nas mansões.

Em tempos de ódio, eu sei quem levanta a bandeira de lutas com convicção. E eu sei quem não aceita o rumo democrático de uma nação. Eu sei quem está se utilizando da liberdade da democracia para pedir a mordaça da ditadura.

Em tempos de ódio, eu sei de que lado estão os racistas, os fascistas, os homofóbicos, os machistas, os xenófobos seletivos, os coronéis do latifúndio, os reacionários, os amantes do nazismo, os defensores dos muros... Eu tenho lado! E NÃO é do lado deles. O oportunismo e os tempos de ódio não mudam pessoas. Elas simplesmente mostram quem são. Logicamente existem pessoas que são manipuladas a contribuir com o ódio. Mas se elas não forem assim, logo acordam e se afastam.

Em tempos de ódio, a escória se sente protegida e sai do subterrâneo. É assim que a KU KLUX KLAN faz filiais.

Mas nem tudo é fatalismo! Em tempos de ódio, eu olho ao meu redor e vejo que não estou sozinho. Vejo que minha posição não é só minha. Em tempos de ódio, eu identifico quem enfrenta racistas, fascistas, homofóbicos, machistas, xenófobos seletivos, coronéis do latifúndio, reacionários, amantes do nazismo, defensores dos muros...

Eu sei quem apimentou o verde e o amarelo com ódio. E eu sei quem (e porque) carrega o vermelho, não apenas nas vestes, mas no sangue. Aliás, eu também sei quem (e porque) insiste em querer mudar a cor do próprio sangue para azul, mesmo que só metaforicamente, mas para ser diferente (em atos de segregação).

Em tempos de ódio, eu sei quem tem bala na agulha e quem tem argumentos de verdade. Eu sei quem tem veneno e quem tem propriedade. Eu sei quem discute sem profundidade e quem discute indo buscar a raiz de tudo.

Eu sei quem me chama de radical e ao mesmo tempo não aceita meus argumentos.

Em tempos de ódio, eu sei por que uma única pessoa desperta a ira da escória, pelo simples fato de posicionar-se contra o ódio.

Em tempos de ódio, uma imagem vale muito mais do que todas as panelas do topo da pirâmide juntas.


Texto: André Agostinho
Foto: Luciano Marra

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O ÓDIO E O PRECONCEITO SEGUEM GANHANDO FORÇAS













“Médica vagabunda pobre”. Um dos termos usados contra a estudante de medicina Ana Luiza Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), por posicionar-se a favor do programa MAIS MÉDICOS. Percebeu? A questão não é o programa, nem o discurso do “trabalho escravo” ou “exploração” em cima dos médicos que vem de fora (sobretudo, lógico, os cubanos).


Em outra situação, a médica gaúcha Thatiane Santos da Silva ouviu da secretária de Saúde de Santa Helena (PR) Terezinha Madalena Bottega que seu cabelo (com dreadlocks) “exalava um cheiro forte” e que os pacientes estão acostumados com outro “padrão” de médico. Thatiane denunciou a posição racista da secretária, e completou dizendo:
“Foi uma atitude racista vergonhosa. E achei que fosse realmente necessário expô-la a toda a população."


Na primeira oportunidade de demonstrar o ódio e o preconceito, as pessoas “revoltadas”, não perdem tempo. O “cada um no seu quadrado” já não se aplica com tanta imposição e isso tem desencadeado intolerância com toda força. Como já citei em outra oportunidade, os reacionários possibilitaram que a escória saísse do subterrâneo e mostrasse a cara.

Também já dei minha opinião sobre a persuasão histórica do lado fútil e preconceituoso da burguesia em cima das pessoas que ela própria (a burguesia) detesta. As pessoas são alimentadas pelo ódio e reproduzem o que os reacionários querem que seja reproduzido.


Nunca é tarde para refletir: Observem o nível dos líderes desses tais movimentos “revoltados”. Percebam o que eles realmente querem. Como Ana Luiza disse em uma nota sobre o ocorrido:
“Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por médicos e futuros médicos, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara.”
Pensem! Olhem os fatos. O preconceito destrói, e muitos (as) que estão sendo levados (as) a ecoar essa onda de ódio, são vítimas no cotidiano e não percebem isso.


Eu poderia escrever muito mais e citar outros diversos exemplos. Mas pra quem realmente quer refletir e rever conceitos, estes já bastam. Porque a curiosidade é instigada a buscar outros exemplos de ódio e todo tipo de preconceito que está sendo reverberado a partir de uma guerra pelo poder, que dividiu (ainda mais) o país por pele, gênero, religiões, regiões e dinheiro.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Seja de burca ou de biquini



















Em novembro passado, a Organização Mundial de Saúde classificou como inadmissível os dados de violência contra a mulher. Uma em cada três mulheres no mundo já sofreu algum tipo de violência. Trazendo para a realidade brasileira, a violência segue preocupando. O número de denúncias aumentou, o que levanta a discussão sobre: O que aumentou mais? A violência ou a coragem para denunciar? Na relação vítima x agressor, foi identificado que mais de 80% das denúncias está nas relações afetivas; Pouco mais de 12%, nas relações familiares, cerca de 6%, nas relações externas e 0,26%, nas relações homoafetivas.

O número de municípios de onde partem as denúncias aumentou de 50% para 70% e o número de mulheres que denunciaram após a primeira agressão, cresceu20%. De 2005, ano em que foi criado o serviço 180, a 2013, o número de denúncias ultrapassou a marca de 3,6 milhões de ligações. Em 2013 especificamente, foram 532.711 registros. Os dados são avassaladores. Mas as denúncias estão cada vez mais em evidência. Em São Luiz (MA), por exemplo, são registrados 15 casos de violência contra mulher por dia.

No resultado nacional, pra quem utilizou o 180 no primeiro semestre de 2014, a frequência das agressões denunciadas aponta que pouco mais de 43% ocorreram todos os dias; cerca de 33%, algumas vezes na semana; quase 10% algumas vezes no decorrer do mês; quase 6%, uma vez; 7% em outras situações; Em quase 65% dos casos, os filhos presenciaram as agressões; em 78%, os filhos também sofreram agressões; em 94%, o autor foi o parceiro ou o ex, ou um familiar da vítima.

De 1980 a 2010, foram assassinadas mais de 92 mil mulheres no Brasil. De 2001 a 2011, mais de 60% das mulheres assassinadas no nosso país, eram negras.

Tudo ainda é muito embrionário, em se falando de proteção às mulheres. No mundo todo! E países diferentes ditam suas regras de preconceito: Mulheres que são mutiladas por serem proibidas de sentir prazer; Mulheres que não podem ter relacionamento após divórcio, por serem consideradas adúlteras; Mulheres que são moldadas e condicionadas a partir do mecanismo machista. Seja usando burca, seja usando biquíni.

As feridas seguem abertas, mas mesmo embrionários alguns avanços, como a Lei Maria da Penha, permitiram reflexos na intensidade de lutas e questionamentos. Vozes passaram a ecoar. Muitas mulheres começaram a criar coragem e a mirar na sua liberdade. Mas ainda há muitas brechas. A falta de profissionais competentes suficiente para a prevenção e o combate à violência contra a mulher, assim como a burocracia e lacunas existentes na Lei, influencia explicitamente no aumento de homicídios, sobretudo por motivos passionais.

Ainda existe uma distância entre a lei e seu cumprimento por parte até de autoridades em alguns (diversos) lugares, como a jornalista Fabiana Moraes relata em sua reportagem especial chamada AVE MARIA.

É preciso que se viva na prática, o que na teoria é um grande passo, como a Lei que torna crime de tortura, a violência contra a mulher:


E é MUITO importante que as denúncias sigam acontecendo. O número 180 é gratuito e tem salvado pessoas. As vezes, a vítima pede socorro e nós não percebemos.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

A LIBERDADE QUILOMBOLA E A PRISÃO DA CASA GRANDE






















Eu tenho um lado tribal quilombola que é a maior parte de mim. E isso me torna livre e prisioneiro ao mesmo tempo.

Livre, porque não me identifico com etiquetas. "esse garfo é pra comer comida x. Esse outro é pra comer comida y". Ou então: "Essa roupa é inadequada para recepção x. Sem terno e gravata, não entra na recepção y"...

E por aí vai. Meus sentimentos, meu sotaque, minha arte, minha forma de andar, de cumprimentar, de vestir-se, não tem padrões de casa grande. Tem liberdade quilombola.

E é exatamente isso que me torna, também, prisioneiro. A sociedade etiquetada é, da mesma forma, impositora. E me aponta a gravata, o terno, o garfo, o tom da voz... Impõe moderação no meu sotaque; Impõe valores diferentes à arte, rotulando algumas vertentes de CLÁSSICAS, para diferenciar de outras vertentes, que rotulam de POPULAR. A sociedade etiquetada quer impor valores diferentes e lugares diferentes à arte. Um muro.

Minha caminhada é perseguida pelas imposições segregadoras, maquiadas e colonizadoras da sociedade etiquetada.

É foda!

opa! foi mal! Esqueci da etiqueta! É fogo!...

Ah! que se foda! É foda mesmo!



André Agostinho/DIRETOdosMANGUEZAIS

A BURGUESIA E A SOCIEDADE SUICÍDA























Eu já perdi as contas de quantas vezes ouvi debates sobre Lampião. E já ouvi de muita gente, posições “raivosas” sobre o mais famoso líder do cangaço, com a afirmação de que ele foi o vilão daquela história. Estas mesmas pessoas muitas vezes não tinham opiniões formadas sobre os coronéis, que representavam a burguesia da época.

Algo parecido percebemos em relação a Antônio Conselheiro. Sobre ele, ficou a imagem de um homem maluco e fanático religioso. Muitas destas mesmas pessoas que assim pensam, não têm opinião formada sobre os algozes de Canudos, que representavam a burguesia da época.
Quando zumbi morreu, houve festa no centro do Recife. Moedas eram jogadas ao povo, e o povo festejava, comemorando a morte de um “malfeitor”. Eram atribuídos a Zumbi e ao Quilombo dos Palmares, todos os perigos e ameaças à sociedade. Ainda há quem questione a legitimidade da luta de Palmares. E muitos se esquivam em relação aos perseguidores dos Quilombos. Perseguidores que representavam a burguesia da época.

E tudo vem de muito longe. Jesus Cristo foi rechaçado pelo próprio povo, que o condenou e vibrou com sua crucificação, sem questionar os homens contrários às posições do filho de Deus. Homens esses, que representavam a burguesia da época.

Pois bem... Não quero fazer nenhuma comparação entre os personagens aqui citados. Suas épocas, suas convicções, suas lutas, foram pontuais em sua história. Mas há algo que podemos comparar sempre: A BURGUESIA! Ela está sempre no mesmo rumo. Só mudam os representantes. A burguesia só é burguesia, enquanto existe segregação. Ao menor sinal de reação das classes historicamente depredadas, ela (a burguesia) se preocupa. E tenta cortar o “mal”, seja pela raiz ou pelo tronco. E vai induzindo boa parte da PRÓPRIA CLASSE SEGREGADA a ajudá-los a frear as reações. A automutilação acontece com uma boa dose de incentivo ao ódio. Sempre foi assim. Não seria diferente agora.

O pilar da chamada “elite reacionária” é a persuasão. Um investimento sem tréguas, de lavagem cerebral, a fim de que o povo se transforme em kamikaze para o deleite da própria burguesia. Eles sabem que sempre conseguiram persuadir boa parte da sociedade, através da sua caixa de ressonância. E eles continuarão. Sempre.

É só lermos um pouco. Quantas expedições a burguesia enviou para derrubar Palmares? Quantas tentativas houve para derrubar Canudos? Quantos cercos fizeram para derrubarem Lampião?
Rebusque! Leia! Os personagens do nosso lado são diversos. A burguesia atacou todos. O discurso de ódio vai aumentar.

Mesmo que para isso, eles intensifiquem desejos de golpes, fazendo com que esse mesmo golpe seja defendido pelas mesmas pessoas que serão torturadas e mortas por ele.

O alento é que por mais que a burguesia derrube um sonho, outros sonhos são erguidos. E cada vez mais fortificados. Por isso, ela (a burguesia) tende a aumentar a dosagem de ódio no seio da sociedade. Eles só defendem a democracia, se a democracia for fascista.


André Agostinho/DIRETOdosMANGUEZAIS

domingo, 19 de julho de 2015

CHICO E O ÓDIO
















Vamos falar de ódio? Já começo dizendo, ou melhor, afirmando que tem muita gente hoje, dentro das imposições do senso comum, que está se revoltando com Chico Science. Sim! Chico Science! É só ouvirmos “MONÓLOGO AO PÉ DO OUVIDO”:

“Viva Zapata! Viva Sandino! Viva Zumbi!
Antônio Conselheiro! Todos os Panteras Negras!
Lampião, sua imagem e semelhança!"

Aí a pessoa do senso comum, que antes era louca por Chico, agora diz: “Só fala de arruaceiros!” “Sai daí, comunista!” “Vai embora, Ptralha!”
E quando escutam “BANDITISMO POR UMA QUESTÃO DE CLASSE”, vão querer desenterrar Francisco e jogar seus ossos em praça pública.

“(...)Acontece hoje
Acontecia no Sertão
Quando um bando de macaco
Perseguia Lampião(...)”
“(...)E quem era inocente
Hoje já virou bandido
Pra poder comer um pedaço de pão
Todo fudido(...)”

Os revoltados vão dizer: “Vão pegar o bolsa-família, bando de desocupados!” “Leva eles pra tua casa!”
E quando ouvirem “DA LAMA AO CAOS”? Vão surtar!

“(...)Ô Josué nunca vi tamanha desgraça
Quanto mais miséria tem
Mais urubu ameaça(...)”

Eles vão dizer que Chico apelou: “Pô! Josué de Castro? Basta de Josué!!!”
Bom... Não vou ficar surpreso. Até porque eles disseram: “Basta de Paulo Freire!”
Isso me fez lembrar-se de um cidadão que me disse outro dia, que “só foi preso, perseguido ou morto pela ditadura, quem era marginal ou maloqueiro”.
Sim! Voltemos a Chico! O pessoal do senso comum, quando ouvir “A CIDADE”, vai se revoltar de vez:

“(...)E a situação
Sempre mais ou menos
Sempre uns com mais
E outros com menos(...)”

“P... Chico!!! Que decepção! Essas críticas é coisa de comunista! É melhor cantarolar:
‘(...) e poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.”

E quando ouvirem “CORPO DE LAMA”?

“Deixai que os fatos 
Sejam fatos naturalmente
Sem que sejam forjados para acontecer(...)”

Vão dizer: “Preparem as panelas! Vamos compartilhar nas redes sociais que quando isso tocar devemos fazer panelaço pra que ninguém escute!”
Pensa que acabou? Eles ainda hão de ouvir “ETNIA”:

“Somos todos juntos uma miscigenação
E não podemos fugir da nossa Etnia”

Eles vão ter um colapso nervoso. Vão se jogar no chão. Pegarão aquele disco de Chico, e antes de jogarem fora, gritarão: “Se tua alma pode me ouvir, eu te peço: VAI PRA CUBA!”
O ódio, assim como o medo, é ferramenta do sistema. Assim caminha a humanidade.

André Agostinho/DIRETOdosMANGUEZAIS

quarta-feira, 8 de julho de 2015

25º FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS - PROGRAMAÇÃO DE SHOWS











Para a programação completa, clique na imagem











25º FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS - 2015
Programação de Difusão Cultural

SHOWS

Quinta-feira, 16/7

Abertura Oficial
19h – Show Porcelana – Alaíde Costa e Gonzaga Leal
Local: Teatro Luiz Souto Dourado

Palco Mestre Dominguinhos
21h – Kiara Ribeiro
22h – Renata Rosa
23h – Isaar e Voz Nagô
0h30 – Ana Carolina

Sexta-feira, 17/7
Palco Mestre Dominguinhos
21h – Leo e Banda
22h – Ska Maria Pastora
23h10 – Fafá de Belém com participação de Manoel e Felipe Cordeiro
0h30 – Banda Calypso

Sábado, 18/7
Palco Mestre Dominguinhos
22h – Hercinho e os Cabras do Mato
23h10 – Eddie
0h – Orquestra Contemporânea de Olinda
1h30 – Lenine

Palco Pop
18h – Martzabel
19h10- Graxa
20h20- The Baggios
21h30 – Ave Sangria

Palco Instrumental
18h – Lulinha Trumpet
19h – João Paulo Albertim
20h – Leo Gandelman

Palco de Cultura Popular
10h – Reisado “Os 3 Reis do Oriente”
11h – GRE Garanhuns
12h – Grupo de Xaxado Cabras de Lampião
13h – Grupo de Bacamarteiros Rei do Cangaço
14h – Maracatu de Baque Solto Leão Vencedor de Carpina
15h – Pastoril Giselly Andrade
16h – As Netas de Selma do Coco
17h – Nação do Maracatu Aurora Africana
18h – Mestra Ana Lúcia e Raízes do Coco

Palco Forró
0h – Banda Quero Xote
1h – Edmilson do Pífano
2h – Savinho do Acordeon

Domingo, 19/7
Palco Mestre Dominguinhos
21h – Orquestra Popular da Bomba do Hemetério
22h – Lucas e Orquestra dos Prazeres
23h10 – Mundo Livre S/A
0h30 – Pitty

Palco Pop
18h – Banda Marsa
19h10 – Radiola Serra Alta
20h20 – Isadora Melo
21h30 – A Matinada

Palco Instrumental
18h – Street Jazz Band
19h – Pernambuco Sonoro – Henrique Annes, Beto Hortis e Marcos César
20h – Rivotrill

Palco de Cultura Popular
9h – Reisado Garanhuns Cultural
10h – GRE Garanhuns
12h – Batutas de Água Fria
13h – Maracatu estrela de Ouro de Aliança
13h às 17h – Projeto Roda de Sanfona (Mestre Dominguinhos)
--------Sanfoneiro Clóves (Trio Asa Branca); José Pedro (Forró Pesado); Valmiro Sobral (Forró Fenix), Zuza (Pé Quente); Ivan Maceió; Zé Mago; Cícero Basílio/Correntes; Bezerra da Gaita; Bil do Acordeon; Tuxinha; Renato do Acordeon; Marcos Cabral; Genivaldo Albuquerque/Brejão; Basto Peroba/Bom Conselho; Trio Pisa na Fulô; Nando Azevedo; Forró do Matuto/Belo Jardim; O Bom Kixote; Michelly dos Anjos; Dema do Forró; Bill do Forró; Bebeto Oliveira/Esquenta Coração; Forró Fogo de Menina; Canarinho e Beija-Flor; Os Brilhantes da Vaquejada; Lucas do Acordeon (Banda Mirim Zé do Estado/Caruaru); Eder e alunos da Escola de Sanfona Mestre Dominguinhos/ Garanhuns; Crianças da Escola de Sanfona Lula Sanfoneiro/Sertânia.-----------              
18h – Benedito da Macuca

Palco Forró
0h – Bebeto Oliveira e Forró Esquenta Coração
1h – Sandra Belê
2h – Roberto do Acordeon

Segunda-feira, 20/7
Palco Mestre Dominguinhos
21h – Neander
22h – Devotos
23h30 – Racionais MC’s

Palco de Cultura Popular
10h – Reisado Santíssimo Redentor
11h – GRE Garanhuns
13h – Troça Carnavalesca Mista o Bagaço é Meu
14h – Afoxé Omin Sabá
15h – Clube de Bonecos Morena Tropicana
16h – Boi Faceiro
17h – Troça Carnavalesca Mista Os Ciganos
18h – Bloco Compositores e Foliões

Terça-feira, 21/7
Palco Mestre Dominguinhos
21h – Leonardo Sullivan
22h – Agnaldo Timóteo
23h30 – Joanna

Palco de Cultura Popular
10h – Reisado Mestre João Tibúrcio
11h – GRE Garanhuns
13h – Afoxé Alafin Oyó
14h – Troça Carnavalesca Mista Papangus Gigantes
15h – Clube de Bonecos Seu Malaquias
17h – Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu
18h – O Véio Mangaba e Trio

Palco Mamulengos e Pontos de Cultura
Local: Parque Euclides Dourado
16h – Família Los Iranzi (Mamulengo Estrela do Norte do Mestre Baby Guedes)
17h – Mamulengo Mulato
17h30 – Dupla de Violeiros (Ponto de Cultura Qualificação e Desenvolvimento na Cultura)

Quarta-feira, 22/7
Palco Mestre Dominguinhos
21h – Forró Pesado
22h – Herbert Lucena
23h10 – Quinteto Violado
0h30 – Flávio José

Palco de Cultura Popular
10h – Valdir Marino – O Brincante do Pé de Serra
11h – GRE Garanhuns
12h – Caboclinho Sete Flexas
13h – Canarinhos do Forró
14h – Coco dos Pretos
15h – Trupe Lírico Musical Um Bloco em Poesia
16h – Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife
17h – Dominguinhos do Luar ao Sertão
18h – Mestre Luiz Paixão (A arte da rabeca)

Palco Mamulengos e Pontos de Cultura
Local: Parque Euclides Dourado
16h – Mamulengo Riso do Povo (Zé Divina)
17h – Mamulengo Nova Geração de Carpina
17h30 – Mestres do Coco (Ponto de Cultura Farol da Vila)
18h  – Mamulengando Alegria

Quinta-feira, 23/7
Palco Mestre Dominguinhos
21h – Alexandre Revoredo
22h – DJ Dolores: Banda Sonora
23h10 – A Cor do Som
0h30 – Davi Moraes e Moraes Moreira

Palco Pop
18h – Publius
19h10 – Rua
20h20 – Jam da Silva
21h30 – Maciel Salu

Palco Instrumental
18h – Nildo Bass Duo
19h – Saracotia
20 – A Trombonada

Palco de Cultura Popular
11h – Reisado Unidos Com Alegria
12h – GRE Garanhuns
14h – Clube Indígena Canindé
15h – Cavalo Marinho Estrela de Ouro
16h – Caboclinho União 7 Flexas
18h – Coco de Mulheres

Palco Forró
11h40 – Forró Sensação
0h – Ivan Maceió
1h – Luizinho Calixto
2h – Terezinha do Acordeon

Palco Mamulengos e Pontos de Cultura
Local: Parque Euclides Dourado
16h – Mamulengo Nova Geração de Glória de Goitá
17h30 – Maracatu de Baque solto (Ponto de Cultura Engenho dos Maracatus)

Sexta-feira, 24/7
Palco Dominguinhos
22h – Adiel Luna
23h10 – Belo Xis e Wellington do Pandeiro
0h – Mariene de Castro
1h30 – Bendito Samba: Mariana Aydar, Zezé Mota, Karynna Spinelli, Rita Benneditto e Roberta Nistra

Palco Pop
18h – Millena Raimer
19h10 – Coutto Orchestra
20h20 – Silvério Pessoa
21h30 – Tiê

Palco Instrumental
18h – Estação Brasil
19h – Mário Moita
20h – Luciano Magno
21h – Maestro Duda e Quinteto de Metais

Palco de Cultura Popular
10h – Mamulengo Teatro do Riso (Zé Lopes)
14h – Afoxé Oyá Tokolé Owô
15h – Maracatu de Baque Solto Leão da Fortaleza
16h – Maracatu Raízes de Pai Adão
17h – Mestre Seu Zeca do Rolete

Palco Forró
11h40 – Muniz do Arrasta Pé
0h – Os Coroas do Forró
1h – Joquinha Gonzaga
2h – Nordestinos do Forró

Palco Mamulengos e Pontos de Cultura
Local: Parque Euclides Dourado
16h – Mamulengo Jurubeba
17h – Mamulengo Teatro do Riso (Zé Lopes)
17h30 – Boi do Ponto de Cultura Boi Tira Teima

Sábado, 25/7
Palco Mestre Dominguinhos
22h – Andrea Amorim
23h10 – Bonsucesso Samba Clube
0h – Mombojó
1h30 – Capital Inicial

Palco Pop
18h – Gold Hits
19h10 – Joanatan Richard
20h20 – Wado
21h30 – Johnny Hooker

Palco Instrumental
18h – Cláudio Lins
19h – Projeto 3D – Jehovah da Gaita, Renato Bandeira e Bráulio Araújo
20h – Frevotron – DJ Dolores, Maestro Spok e Yuri Queiroga

Palco de Cultura Popular
11h – Grupo Nossa Arte – APAE/Garanhuns
12h – Caboclinho Oxossi Pena Branca
13h – Bloco Carnavalesco Misto Pierrot de São José
14h – Maracatu Leão Coroado/Os Afonsos
15h – Maracatu Leão Formoso de Tracunhaém
16h – Clube de Alegorias e Críticas O Homem da Meia Noite
18h – Lia de Itamaracá

Palco Forró
0h – Antônio Lira
1h – Ronaldo César

2h – Assisão

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A culpa é desse amor que a gente tem por Pernambuco























Tá... Tudo bem...

Sou meio "megalomaníacamente" apaixonado por esse chão e sua arte...
Por isso a passista de frevo está lá em cima, no planeta da gravura...
Mas esse amor já vem nos poros. É só a gente conhecer um pouquinho da nossa história, que o sentimento é provocado.

Cícero Dias disse:
"Eu vi o mundo. E ele começava no Recife!"
O artista não se conteve e fez um belíssimo painel que tem como nome essa mesma frase.

Tá vendo? Vem nos poros.

Chico Science disse:
"Entreguei a Recife minha emoção e a Pernambuco meu amor!"
Compreende agora? É uma entrega. é uma magia que não tem como explicar de onde vem?

Aí me vem Gonzaga, e fala:
"Até pra nascer tive sorte, pois nasci em Pernambuco, o famoso Leão do Norte!"
E quem sou eu pra dizer que o rei do Baião está precipitado? Pelo contrário. Ele tem propriedade pra isso. Ganhou o mundo. Se apaixonou por cada pedaço desse País. e mesmo assim, sofria de saudade do seu torrão.

E Clóvis Mamede? Inspirou-se pra falar de Pernambuco, e soltou um desabafo:
"Sonhei que estava em Pernambuco. Fiquei maluco quando o frevo passou. Mas, quando estava no melhor da festa, ora esta, alguém me despertou"

Enfim...
Esse amor domina.
A dor da distância também.
E esse chão acaba indo com a gente por onde quer que a gente vá.


André Agostinho/DIRETOdosMANGUEZAIS

quinta-feira, 12 de março de 2015

O PASSADO QUE NÃO FOI EMBORA















Sinceramente... A luta é maior do que se imagina.

Como pode alguém incluir uma série de equívocos numa só frase? Bom... A pessoa que escreveu isso aí conseguiu. Não me refiro a ela ser a favor ou contra cotas. É uma opinião dela. Respeito, embora ache algumas justificativas, verdadeiras aberrações, como a frase feita que diz: “Isso é preconceito ao contrário”. Santa estupidez né?!

Mas voltemos à frase!

Eu li e me perguntei: “Como assim ‘passagem de volta pra África’”? Talvez ela não saiba (Por isso escreveu tanta besteira numa frase só) que negros e crioulos (africanos e brasileiros) não precisaram estar em solo africano para serem escravizados. Foi em solo brasileiro mesmo. Eu não precisaria “voltar”. Já piso todos os dias onde pessoas foram (e são) escravizadas, estupradas, excluídas e chicoteadas rotineiramente.

Aí me perguntei de novo: “Como assim ‘passado que nem viveram’”? Eu vivo isso todos os dias. Eu sou açoitado todos os dias. Sou excluído todos os dias. Escuto piadas todos os dias. Sou colocado à margem da sociedade todos os dias. Sou reflexo de uma abolição onde as pessoas que se tornaram livres foram obrigadas a pedir para voltar para as terras onde foram violentadas de todas as formas, porque a abolição chegou amputada. Jogaram os ex-escravizados nas ruas, disseram: “Te vira” e ainda pediram indenização, quando o correto seria o contrário.

Eu sou a parte da sociedade que ao longo destes quase 130 anos de “abolição”, foi levada a buscar primeiro, a informalidade ou o emprego onde se paga miséria e é preciso engolir, pela falta (imposta) de perspectiva. Fui condicionado a outro tipo de escravidão e imposições ao longo da história desse país. E isso não é um discurso de “coitadinho”. É um fato.

Será que a mocinha da frase conseguiria me informar os motivos do preconceito e do racismo contra negros? Basta que ela explique o porque essa segregação no Brasil. Eu vivo SIM, a época das correntes e dos troncos. E não é porque escolhi. Eu vivo isso porque os senhores de engenho continuam chicoteando. E a mocinha (que bem notamos traços diferentes do que ela afirma ser no pouco que conseguimos enxergar por trás do papel onde está a frase absurda) demonstra total ausência de essência e de conhecimento sobre o que se vive no Brasil.

Não apenas pelo passado que ela acha que não alcançamos. Mas pelo presente que é o reflexo de um país onde um dos maiores matadores de negros da nossa triste história (Duque de Caxias), é visto como herói da sociedade. Patrono da Nação. Mas a mocinha talvez nem saiba quem foi José do Patrocínio. Talvez não tenha ouvido falar de Carolina Maria de Jesus... Ou Auta de Souza... Ou Joaquim Nabuco... Ou José Mariano...
 
Cito pessoas que, independente da pigmentação na pele, lutaram. Seja pela liberdade de pessoas escravizadas. Seja pela autoafirmação. Cada um no seu momento. E hoje essa luta continua. E não podemos sequer cochilar, senão os flagelos aumentam. De cada 3 pessoas que são assassinadas nesse país, duas são negras. E a mocinha vem dizer que não vivemos a história da escravidão?

Vivemos num país onde o ex-presidente Fernando Henrique Cardozo, ao citar seu lado “afro” disse “eu também tenho um pé na cozinha”. Em poucas palavras ele demonstra onde, na visão dele, é o lugar do negro e da negra na sociedade. Isso não é teoria da conspiração nem neurose. Até porque nem foi dito por mim. E a mocinha vem dizer que não vivemos a escravidão?

Lembro agora do que se falava de Machado de Assis. Pela sua qualidade, era chamado pela burguesia de “negro de alma branca”. Aí pergunto de novo: A mocinha vem me dizer que não vivemos a escravidão?
Talvez ela se ache uma negra de alma branca... E nesse caso, confesso que, em parte, concordo com ela. A alma branca dela, é a alma dos brancos que segregaram e segregam.

Nunca vou baixar a cabeça para os muros que são erguidos na nossa frente. Até porque as pessoas escravizadas não desistiram um só minuto de sua liberdade. Comigo não seria diferente. Porque continuamos vivendo no calabouço. 


André Agostinho/DIRETOdosMANGUEZAIS

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/03/a-necessidade-das-cotas-raciais-num-pais-como-o-brasil.html

sábado, 24 de janeiro de 2015

FREVOS NOS NEURÔNIOS


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Mais de 350 músicas... Mais de 1 GB... E mais de 18h de... FREVO!
É isso mesmo!
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FREVO-CANÇÃO, FREVO DE BLOCO, FREVO DE RUA E FREVO RURAL.
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