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WebRádio Cultura Viva

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

PATRIMÔNIOS E RETRATAÇÃO







A época de culminância dos festejos do CAVALO-MARINHO é o fim do ano, que se entrelaça com o ciclo natalino. O Cavalo-Marinho une dança, teatro e música. Movimenta comunidades e tem papel fundamental na vivência e convivência entre pessoas, a partir de suas atividades. No entanto, o poder público segue suas ornamentações natalinas, com gorros de Papai Noel, quando deveria incluir na sua programação, a importância do referido brinquedo popular.
Alguns Maracatus de Baque Virado foram fundados ainda no período da escravidão. Ainda quando a sua arte era proibida. Seguiram com cortejos e rituais de coroação e, com o tempo, intensificaram sua ligação religiosa, modificando seus líderes, que deixaram de ser os reis e as rainhas “convencionais”, para serem Babalorixás e Ialorixás. Os maracatus superaram dificuldades e ganharam fôlego, chegando vivo aos dias atuais, apesar de histórica perseguição, inclusive do poder público em períodos diferentes.
Os Maracatus de Baque Solto também tem forte ligação com suas comunidades, sobretudo em engenhos e distritos isolados e muitas vezes esquecidos. Pessoas que vivem no limite da sobrevivência, injustiçadas e exploradas ao longo do cotidiano, vestem-se com o colorido dos mais diversos personagens do folguedo, brincando no carnaval e esquecendo um pouco das dores sociais. Mas o carnaval é culminância. As sambadas são o vínculo entre a arte e as pessoas, com suas loas, danças e sons característicos. O mesmo que há bem pouco tempo foi perseguido pelo poder público, que enviou a polícia para acabar com vários sambas de sambadores e sambadoras, sobretudo na Zona da Mata pernambucana, como se o as loas, as danças e os sons característicos fossem um crime.
Nossos PARABÉNS a estas três manifestações, que giram em torno de muita luta. O que todas as pessoas envolvidas passaram e vão continuar passando, para manter a chama acesa. O título de PATRIMÔNIO IMATERIAL DO BRASIL foi, no mínimo, uma retratação. Um pedido de desculpas por tantas perseguições. Tantos descasos. Estas manifestações já eram Patrimônio para quem participa intimamente de suas andanças. Mas com o título “oficial”, não há de precisar (pelo menos na teoria) mendigar respeito.


André Agostinho/DIRETOdosMANGUEZAIS - http://www.diretodosmanguezais.com

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