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WebRádio Cultura Viva

quinta-feira, 31 de março de 2011

Vestígios da Ditadura


Perseguição política; Falta de democracia; Supressão de direitos constitucionais; Censura; Repressão aos contrárioa  ao regime. Esse é um reflexo do tumor da história do país.

13 de março de 1964. João Goulart, que assumiu o poder pós renúncia de Jânio Quadros,  realiza um grande comício na Central do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.
Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizaram uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a chamada Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.

O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 (AI-1). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.
Castelo branco, Costa e Silva, Junta militar, Médici, Geisel e Figueiredo, foram os comandantes durante o período ditatorial.

Você tem noção do que é ter unhas dos dedos das mãos e dos pés, arrancadas? Imagina o que é ter todos esses dedos, quebrados? Imagina o que é ter ossos do corpo quebrados por espancamento e ser jogado nos porões sentindo o ranger destes ossos soltos, sem poder fazer nada? Você imagina ser arrastado com uma corda no pescoço por uma praça, após ter os pés em carne viva, por ter sido emergido em água de bateria de carro fervendo? Você tem noção de uma mãe vendo o filho de meses sendo torturado com choques e tapas? Você tem noção de quantas mulheres foram estupradas sob torturas por 4, 5, 6, 10 soldados, dentro de um porão?

Os que vêem a ditadura, como um bom momento da nossa história, não conhecem os passos desse regime. Só pra constar a dor dos que lutaram pela liberdade de gerações seguintes, vamos falar de torturas:

Mamadeira de Subversivo
Era introduzido na boca do preso um gargalo de garrafa, cheia de urina quente, normalmente quando o preso estava pendurado no pau-de-arara. Usando uma estopa, os torturadores comprimiam a boca do preso, obrigando-o a engolir a urina
Afogamento na Calda da Verdade
A cabeça do torturado era mergulhada em um tambor, balde ou tanque cheio de água, urina, fezes e outros detritos. A nuca do preso era forçada para baixo, até o limite do afogamento na “calda da verdade”. Após o mergulho, a vítima ficava sem tomar banho vários dias, até que o seu cheiro ficasse insuportável. O método consistia em destruir toda a auto-estima do torturado.
Cadeira do dragão
Nessa espécie de cadeira elétrica, os presos sentavam pelados numa cadeira revestida de zinco ligada a terminais elétricos. Quando o aparelho era ligado na eletricidade, o zinco transmitia choques a todo o corpo. Muitas vezes, os torturadores enfiavam na cabeça da vítima um balde de metal, onde também eram aplicados choques
Pau-de-arara
É uma das mais antigas formas de tortura usadas no Brasil - já existia nos tempos da escravidão. Com uma barra de ferro atravessada entre os punhos e os joelhos, o preso ficava pelado, amarrado e pendurado a cerca de 20 centímetros do chão. Nessa posição que causa dores atrozes no corpo, o preso sofria com choques, pancadas e queimaduras com cigarros
Choques elétricos
As máquinas usadas nessa tortura eram chamadas de "pimentinha" ou "maricota". Elas geravam choques que aumentavam quando a manivela era girada rapidamente pelo torturador. A descarga elétrica causava queimaduras e convulsões - muitas vezes, seu efeito fazia o preso morder violentamente a própria língua
Espancamentos
Vários tipos de agressões físicas eram combinados às outras formas de tortura. Um dos mais cruéis era o popular "telefone". Com as duas mãos em forma de concha, o torturador dava tapas ao mesmo tempo contra os dois ouvidos do preso. A técnica era tão brutal que podia romper os tímpanos do acusado e provocar surdez permanente
Soro da verdade
O tal soro é o pentotal sódico, uma droga injetável que provoca na vítima um estado de sonolência e reduz as barreiras inibitórias. Sob seu efeito, a pessoa poderia falar coisas que normalmente não contaria - daí o nome "soro da verdade" e seu uso na busca de informações dos presos. Mas seu efeito é pouco confiável e a droga pode até matar
Afogamentos
Os torturadores fechavam as narinas do preso e colocavam uma mangueira ou um tubo de borracha dentro da boca do acusado para obrigá-lo a engolir água. Outro método era mergulhar a cabeça do torturado num balde, tanque ou tambor cheio de água, forçando sua nuca para baixo até o limite do afogamento.
Geladeira
Os presos ficavam pelados numa cela baixa e pequena, que os impedia de ficar de pé. Depois, os torturadores alternavam um sistema de refrigeração superfrio e um sistema de aquecimento que produzia calor insuportável, enquanto alto-falantes emitiam sons irritantes. Os presos ficavam na "geladeira" por vários dias, sem água ou comida


A ditadura deixou cicatrizes profundas na hitória do Brasil. Eis alguns números:
Foram cassados 230 deputados estaduais, 150 deputados federais, 6 senadores, 44 prefeitos e 7 governadores. 294 pessoas foram consideradas oficialmente desaparecidas (na verdade o número é bem maior), 500 filmes, 468 peças de teatro, 200 livros, 100 revistas e 500 letras de músicas foram censuradas ou vetadas. Outros 1.607 brasileiros foram punidos.

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